Do pequeno minuto ao infinito laço
o preço jamais será calculado
não existe
e é aço
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cheirava o bigode e o punho
por sobre o ombro, de lado
do outro
não era eu
solapava mais impaciência
é sono e só
mas já transforma...
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a dama da noite floreia
em prosa e verso o meu nariz
e sugado para dentro da minha angústia
o oxigênio dilacera e bis
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Acho q volto pra cá
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Estive na Alemanha semana passada, em turnê com o Voz Ativa (www.vozativamadrigal.com.br)
Vejam esta e outras fotos em http://bencks.multiply.com
Abaixo eu e a mulher que faz este sorriso diário aparecer no meu rosto.
Estamos em uma das principais ruas de Augsburg, na Alemanha.
Abraços
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DEJETOS
Sempre foi momento de volta à calma.
Vaso sanitário sempre me conduziu para a libertação dos dejetos também da alma.
Confundido com os dejetos orgânicos me projeto nos líquidos limpos do banhar do meu corpo após o reinado da purificação.
Mas a ação da sujeira me assustou na matinal volta à calma de hoje, quando um pensamento triste aconteceu no exato momento que se desprendia de mim os restos de uma alimentação mal feita, feita às pressas e com poucas vitaminas e nutrientes.
No momento não houve força para o movimento de expulsão, ao mesmo tempo parecia que a força existia mas era bloqueada por algo, por uma sensação de que não devia, de que o melhor era permanecer se auto alimentando do que já existia.
Insisti até que fosse eliminado o "problema", mas no momento de meditação seguinte o pensamento não foi outro além da certeza que a insistência da sujeira em permanecer no corpo é como a onda que vem do mar: forte, imensa, calma, pequena, dependendo do vento.
A obra, a onda, depende daquela alimentação mal feita, da muita gordura, dos poucos nutrientes, da má digestão.
E hoje minhas velas trepidam agitadas demais, fortes e arrebatadoras, derrubando qualquer reinado, sem predisposição para uma nutrição renovada.
Quase fincam meus pés na lama das coisas descartáveis, das coisas que já trouxeram o bem que poderiam, que acabaram, pelo menos para mim.
Prefiro fechar as velas, estacionar um pouco (um retorno estratégico) e cagar em paz.
shauan bencks
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Quando estou neste estado
é como se descesse as escadas
subindo para o fundo.
Mas existem extintores no corredor todo.
Pedi desculpas pelo meu incêndio
e o ápice voltou a ser o último degrau.
shauan bencks
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Travou o progresso do seu nascente
Carregou no verso pó sem semente
Lacrimejou preso aos fios dos próprios cabelos
E o relâmpago não o animou pra chuva
Não se importou de estar sem blusa,
sem vida, sem compaixão
Se era sal que faltava, não faltou
Se era pedra, o pé sabe dizer
Dor temporal não existiu
Pariu as facas e farpados do amanhecer
Pedra de misericórdia, áspera e cortante
Talvez fosse a conta, o fim, um adeus triunfante
Mesmo com o aval da mente não achou nem que a terra
fosse merecer sua dor
Tudo por um amor
Que não amou, só sumiu
Pintou de cinza o céu
Aqui jaz o respirar
Não faltou matar em vida
Não faltou exilar de si
Não daria pra não ser assim
por muito e tanto amar, querer e existir.
shauan bencks
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Relação
Paralelas não cruzam, fundem-se.
A falta de laço prende mais que o nó.
Como prédios vizinhos com olhos-janelas,
flertando o cotidiano estendendo roupa e comendo um pão.
Paralelo é contínuo, nó é ponto e não.
shauan bencks
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Guardiã
Teu rosto é minha força,
esfinge nesta angústia lenta.
Quanto mais acordo, mais sonhos tenho,
de roubar, brincalhão, teu brilho
e guardá-lo em quadro na moldura do meu peito.
Também existe onde mais a admiro,
mas alternam-se, conjugam-se os verbos do seu ser.
Eu boca, eu pernas, eu mãos, eu olho,
eu avião nas nuvens dos teus cílios.
Shauan Bencks
Imagem Julie Delton (www.gettyimages.com)
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Vale a quem
Quando o homem vale o que têm,
não mais amor, só fundo frio.
O casco que protege quem "vale"
é de pedra e de caos do vazio.
Quando escorre fé dos olhos
por não ter e querer bem.
Nada "vale", mas aduba
a terra onde a gota cai.
Quando o plano é ser feliz
na terra dos que "valem",
o fundo frio te come e você chora
por não ver crescer a fé onde mora.
A guerra é não refletir nos espelhos
dos cascos que protegem a quem.
É ver sua caminhada menos que a metade
da de quem sorri mais na verdade arde.
shauan bencks
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