DEJETOS
Sempre foi momento de volta à calma.
Vaso sanitário sempre me conduziu para a libertação dos dejetos também da alma.
Confundido com os dejetos orgânicos me projeto nos líquidos limpos do banhar do meu corpo após o reinado da purificação.
Mas a ação da sujeira me assustou na matinal volta à calma de hoje, quando um pensamento triste aconteceu no exato momento que se desprendia de mim os restos de uma alimentação mal feita, feita às pressas e com poucas vitaminas e nutrientes.
No momento não houve força para o movimento de expulsão, ao mesmo tempo parecia que a força existia mas era bloqueada por algo, por uma sensação de que não devia, de que o melhor era permanecer se auto alimentando do que já existia.
Insisti até que fosse eliminado o "problema", mas no momento de meditação seguinte o pensamento não foi outro além da certeza que a insistência da sujeira em permanecer no corpo é como a onda que vem do mar: forte, imensa, calma, pequena, dependendo do vento.
A obra, a onda, depende daquela alimentação mal feita, da muita gordura, dos poucos nutrientes, da má digestão.
E hoje minhas velas trepidam agitadas demais, fortes e arrebatadoras, derrubando qualquer reinado, sem predisposição para uma nutrição renovada.
Quase fincam meus pés na lama das coisas descartáveis, das coisas que já trouxeram o bem que poderiam, que acabaram, pelo menos para mim.
Prefiro fechar as velas, estacionar um pouco (um retorno estratégico) e cagar em paz.
shauan bencks
Comente:
Quando estou neste estado
é como se descesse as escadas
subindo para o fundo.
Mas existem extintores no corredor todo.
Pedi desculpas pelo meu incêndio
e o ápice voltou a ser o último degrau.
shauan bencks
Comente: